Selma Pereira



Psicodiagnóstico - Relatorio de Estágio

Psicodiagnóstico - Relatorio de Estágio

 

FACULDADES UNIFICADAS DOCTUM
Campus Teófilo Otoni
Rua Gustavo Leonard, 1127 São Jacinto
Autorizado pela Portaria 573 DE 04/09/2006- MEC
CURSO: PSICOLOGIA
 
Núcleo de Psicologia Aplicada- NPA
 
RELATÓRIO de ESTÁGIO
PSICODIAGNOSTICO
1 – Objetivos gerais do estágio:
 
- Realizar o atendimento individual em psicodiagnóstico de acordo com os princípios éticos e técnicos.
- Desenvolver o raciocínio clínico através da prática do atendimento e de discussões grupais dos casos atendidos.
- Elaborar relatórios clínicos e documentos decorrentes de avaliação psicológica.
 
 
2 - Resultados obtidos pela Instituição/cliente, advindos do trabalho do Estagiário.
 
Os resultados obtidos durante o estágio beneficiaram os envolvidos. O cliente e sua mãe que acompanhou o processo tiveram uma aproximação e um reconhecimento, mais objetivamente, se apropriaram da demanda apresentada. A instituição, já como um diferencial na educação, pôde assegurar a continuidade, renovar ou ampliar seus objetivos no que refere à responsabilidade social e aproximação da comunidade.
Dessa maneira, o resultado do processo de estágio foi uma via de mão dupla, a Instituição colaborou com a demanda da sociedade e cumpriu com o objetivo educacional e qualificação profissional.
 
3 - Resultados obtidos pelo Estagiário
 
Um dos resultados benéficos, embora abstrato, foi a oportunidade de confrontar o dito na sala de aula ou a teoria e a prática, e, aprender algumas peculiaridades do atendimento clínico. Também o cumprimento do processo de estágio, dado no encaminhamento e o aprendizado proporcionado por meio da experiencia se configuraram como um resultado positivo no processo de estágio.
 
 
4-Psicodiagnóstico
 
Psicodiagnóstico é um procedimento cientifico – pois deve partir de um levantamento prévio de hipóteses que serão confirmadas ou infirmadas, através de passos predeterminados e com objetivos precisos; é limitado no tempo, utiliza testes e técnicas a nível individual ou não, seja para entender problemas à luz de pressupostos teóricos, identificar e avaliar aspectos específicos ou para classificar o caso e prever seu curso possível.
Os objetivos do processo de psicodiagnóstico podem ser vários:
  1. Classificação Simples
  2. Classificação Nosológica
  3. Diagnostico Diferencial
  4. Prevenção
  5. Avaliação
  6. Descrição
  7. Prognóstico
  8. Perícia Forense
 
No estágio de Psicodiagnóstico, ocorrido no período compreendido entre 01 de fevereiro a 30 de junho de 2011, foi possivel o atendimento de um paciente. O processo iniciou-se a partir de perguntas (entrevistas não-estruturadas e atividade orientativa,) cujas respostas prováveis se estruturaram como hipóteses que foram confirmadas ou não durante o transcorrer do procedimento. O paciente em questão é uma criança de 09 anos, cuja queixa principal é dificuldade na aprendizagem, ausência de socialização e agressividade, que foram percebidas mais nitidamente após a separação dos pais.
 
No trabalho com o recurso lúdico da Família Terapêutica, o paciente expôs vários dados sobre a família, como nomear atribuições de cada membro. Demonstrou aversão ao pai embora, inicialmente, não tenha adentrado em detalhes que poderiam hipotetizar o motivo de seu distanciamento e o porquê de se mostrar, por vezes, bastante agressivo. Durante a aplicação da atividade mencionada, foi possível observar também certa aversão ao contato com os coleguinhas e dificuldade em aceitar o sexo do irmãozinho – seu desejo era que fosse uma menina - e dificuldade de fixar atenção numa determinada coisa e/ou atividade.
 
Em se tratando da agressividade e distanciamento social, foi feita alusão ao texto freudiano de 1909, O Romance Familiar do Neurótico. Freud afirma que o romance familiar se inicia exatamente quando a criança começa a se distanciar dos pais, distância manifestada no aparecimento do “Fantasma”: a criança se divide, eu sou eu, mas poderia ser outro. Esse distanciamento pode ter sua origem no desejo de vingança pelo nascimento de outra criança, o que Lacan chamou de Complexo Familiar – metáfora paterna, notando o ciúmes não somente do irmão, mas do pai e o desfecho da situação.
 
O caso atendido seria muito mais um quadro de ciúmes ou vingança nos pareceres de Freud, do que exatamente um distanciamento social. De acordo com o relatado e o observado durante o procedimento de psicodiagnóstico, sobretudo durante a aplicação da atividade lúdica da Família Terapêutica, o paciente sente-se como substituído pelo irmãozinho caçula, 06 anos mais novo; não obstante, não consegue estabelecer contato duradouro ou se inserir num grupo no ambiente escolar.
 
Quanto á agressividade, definida também em termos freudianos, trata-se de uma forma de pulsão de morte, não assimilada como culpa ou sublimada através da criatividade; mas sim, transferida para um objeto exterior à psique, o que originaria um dano físico ou moral. Bandura definiu agressividade como um comportamento resultante na injuria pessoal e na destruição de objetos, evidenciando não a intenção do autor, mas a sua ação. A partir dessas duas definições, pude concluir que agressividade é legitimo da sobrevivência humana, natural e fundamental, sobretudo na grupalidade, seja familiar ou social, pois é articulada na afetividade entre indivíduos e muito mais vasto do que somente a atividade dita agressiva, seja física ou verbal.
 
A agressividade observada no paciente era, sobretudo, coincidentemente ou não, no momento que se referia a assuntos relacionados à separação ou relacionamento com os pais e relacionamentos com colegas do sexo feminino; o paciente gaguejava, esquecia o assunto que estávamos falando e tremia muito. Relatou-me que em casa, quando isso acontece, ele dá tapas no próprio rosto, para assim se lembrar do assunto que estaria tratando. Quanto à freqüência da ocorrência dessa alteração, informou que, não era sempre, mas geralmente era em conversas com a mãe.
 
A queixa relacionada à aprendizagem e bloqueio na leitura e escrita, isso pôde ser observado a partir da aplicação da atividade lúdica Família Terapêutica, quando o analisado se propôs a escrever a história da Família e pôde ser correlacionado com relato da professora. Foi relatado pela professora que o paciente perdia muito tempo copiando e corrigindo as atividades do quadro, quando não isto, estava de cabeça baixa falando baixinho.
 
Durante a atividade de escrever a historia da Família Terapêutica, foi observado uma dificuldade anormal para condições de idade e nível escolar do paciente no soletramento e na escrita das palavras, o que se configurou como uma das minhas maiores dificuldades.
 
De acordo com a PNL (Programação Neurolinguística) soletrar é uma importante e fundamental habilidade da linguagem que não surge “naturalmente” em todos. De fato, pessoas inteligentes que se distinguem nas salas de aula, mesmo com dons intelectuais em linguagem, podem experimentar dificuldades grandes e até mesmo enfraquecedoras na soletração. A habilidade em soletração não é função de algum tipo de “genes de soletração” mas sim a estrutura de uma estratégia cognitiva interna que alguém usa enquanto soletra. Portanto, se as pessoas encontram dificuldades na soletração, não é porque elas são “estúpidas”, “preguiçosas” ou “têm problemas de aprendizagem”, mas sim porque elas estão tentando usar um programa mental que não é eficiente.
 
A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação) já remete esse problema à tão falada e quase nunca identificada Dislexia; uma específica dificuldade de aprendizado da Linguagem: em leitura, soletração, escrita, em linguagem expressiva ou receptiva, em razão e cálculo matemáticos, como na linguagem corporal e social. Não tem como causa falta de interesse, de motivação, de esforço ou de vontade, como nada tem a ver com acuidade visual ou auditiva como causa primária. Muitas vezes confundida com déficit de atenção, problemas psicológicos, ou mesmo preguiça; esse transtorno se caracteriza pela dificuldade do indivíduo em decodificar símbolos, ler, escrever, soletrar, compreender um texto, reconhecer fonemas, exercer tarefas relacionadas à coordenação motora; e pelo hábito de trocar, inverter, omitir ou acrescentar letras/palavras ao escrever. Pesquisas científicas neurobiológicas recentes concluíram que o sintoma mais conclusivo acerca do risco de dislexia em uma criança, pequena ou mais velha, é o atraso na aquisição da fala e sua deficiente percepção fonética. Quando este sintoma está associado a outros casos familiares de dificuldades de aprendizado – dislexia é, comprovadamente, genética, afirmam especialistas que essa criança pode vir a ser avaliada já a partir de cinco anos e meio, idade ideal para o início de um programa remediativo, que pode trazer as respostas mais favoráveis para superar ou minimizar essa dificuldade.
 
De nenhuma maneira é possível afirmar que o paciente possui dislexia, pois não foi observado critérios do CID-10 nem aplicado nenhum teste com objetivos de identificá-la. Se tornando assim minha maior dificuldade durante o processo de estágio, se não, um ponto negativo no meu procedimento, que poderia ter sido melhor investigado.
 
Por outro lado, afirmo ter alcançado o objetivo principal do estágio que se encerrou com o encaminhamento do paciente ao procedimento de Psicoterapia.
 
 

 

 
 
REFERENCIAS
 
CID –10
CUNHA, Jurema Alcides (2000). Psicodiagnóstico R. 5º ed. Porto Alegre: Artes Médicas.
FREUD, S. Romances Familiares. In: ESB das obras completas de Sigmund Freud, Rio de Janeiro, Imago Ed., 1976. p. 243-247.
LACAN, J. O mito individual do neurótico. In: Falo nº 1, Revista Brasileira do Campo Freudiano, Salvador, Fator Ed. l987. p. 10.
LDB – In http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm
WOOLFOLK, Anita E. Psicologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 2000.